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O Santo Módico   PERÍODO BRASILEIRO
Lançado comercialmente no Brasil em março de 1964, dirigido por Robert Mazoyer

SOBRE O FILME

Realizado por parte da mesma equipe do sucesso internacional Orfeu do Carnaval [o diretor Robert Mazoyer foi assistente de direção em Orfeu], O Santo Módico tornou-se célebre por ter sido filmado em cores, revelando a deslumbrante beleza da Bahia. No filme, certo dia, ao voltar da Festa dos Pescadores, a comerciante Maria das Dores [a cantora Leny Eversong] cai e desloca a clavícula – logo é ajudada pelo humilde pescador Bento [interpretado por Breno Mello, ex-jogador do Fluminense e também protagonista de Orfeu], que ajeita seu ombro e acaba reconhecido pelos romeiros presentes como uma figura milagrosa. Aproveitando a oportunidade, Maria das Dores abriga Bento em seu café, enquanto o jovem amigo de Bento de apelido Negócio espalha que por apenas 20 mil réis o rapaz é capaz de curar qualquer mal – um santo a preço módico. O povo em massa atrás dos milagres, mas Bento teme a punição divina e na verdade só quer ficar junto de sua amada Flora, que por sua vez planeja juntar-se ao pescador Heitor. Quando Bento resolve partir da Bahia em um navio de cacau, Maria das Dores tenta manter o sucesso alcançado, continuamente reforçando que um dia o santo local voltará.

CRÉDITOS REDUZIDOS

Produção: Les Films du Fleuve, Tupã Filmes Ltda. e Sacha Gordine
Roteiro: Robert Mazoyer, Jacques Viot
Direção: Robert Mazoyer

Música: Moacir Santos, Antônio Carlos Jobim, Baden Powell e Luiz Bonfá
Direção de som: Oscar Santana


MÚSICAS IDENTIFICADAS NA TRILHA

Movimentos "Berceuse", "Adeus", "Canto da Bahia", "Lamento" e "Milagre de Maria" de Tom Jobim

"Lamento do Pescador", de Robert Mazoyer

"Balaio", de Luiz Bonfá e Maria Helena de Toledo


DESCRIÇÃO E ANÁLISE DA TRILHA

Certas referências afirmam que o filme ainda é inédito, outras se conformam dizendo que está perdido. A verdade é que foram encontradas evidências de seu lançamento comercial em 1964, tanto em notas de jornais quanto em anúncios de cartazes. Entretanto, infelizmente nenhuma cópia do filme foi encontrada até o presente momento para que pudéssemos ter uma real noção de qual a participação de Moacir Santos na composição da trilha musical. Contudo, algumas informações gerais foram encontradas ao longo da pesquisa, dando pistas de como teria sido a produção.

Sabe-se que a música do filme não foi composta exclusivamente por Moacir, mas por diversos músicos importantes do período. Na ficha técnica da Cinemateca Brasileira constam os seguintes nomes: "Santos, Moacir; Jobim, Antônio Carlos; Powell, Baden; Bonfá, Luis". No site www.jobim.org algumas fotos podem ser vistas nesses links [1, 2 e 3], e os textos informativos das fotos descrevem "a gravação da trilha sonora composta por Tom Jobim, Luiz Bonfá, Baden Powell, Moacir Santos, Vinicius de Moraes e Maria Helena de Toledo", aumentando ainda mais a já extensa lista de colaboradores.

É notável a relação dessa produção com a de Orfeu do Carnaval ou Orfeu Negro [1959]. Filme baseado em uma peça teatral de Vinicius de Moraes que contou com o mesmo produtor [Sacha Gordine] e roteirista [Jacques Viot], além de Robert Mazoyer, diretor de O Santo Módico, ter sido assistente do diretor Michel Camus. A ideia do diretor e dos produtores de O Santo Módico era lançar um filme na esteira da produção de 1959, que pudesse partilhar do mesmo sucesso internacional. Nesse intuito, nomes semelhantes foram chamados para a confecção da trilha. Jobim e Bonfá estão presentes nas duas produções e podemos supor que eles possivelmente trouxeram Vinicius, dado o envolvimento dele tanto com o Orfeu quanto com a dupla musical. Vinicius, por sua vez, provavelmente trouxe consigo Baden e Moacir. A relação dos três últimos é bastante peculiar, pois Vinicius e Baden comporiam o "Samba da Benção" em 1962, na qual a letra pede a benção "ao maestro Moacir Santos" em um célebre trecho. Em 1966 lançam o disco Afro-sambas, sendo que algumas dessas composições teriam sido desenvolvidas a partir de exercícios de Baden Powell em suas aulas com Moacir Santos.

Por fim, o acervo online de Jobim guarda reproduções de manuscritos de suas composições para o filme, que podem ser vistas nesses links [1, 2, 3, 4, 5 e 6]. Esses manuscritos sugerem uma produção cinematográfica de grande porte, especialmente pela instrumentação, relativamente densa para a época, de flautas, corne-inglês, trombones, trompa, violinos, viola, violoncelo, contrabaixo, piano, violão, voz e coro.

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